Condições de aceitação para a formação inicial de Facilitadores/Líderes

1. Ser associado da APGB
2. Possuir experiência profissional suficientemente consistente e duradoura no âmbito de cuidados de saúde e de relação de ajuda, por período mínimo de cinco anos, validada pela Comissão Científica da APGB.
3. Ter experiência de participação num GB durante um período suficientemente prolongado, com um tempo mínimo de permanência de pelo menos 2 anos e com a frequência comprovada de pelo menos 20 sessões.

Objectivo da formação

No final do seu percurso formativo, o candidato a Facilitador/Líder Balint terá adquirido competências que o habilitam a:
1. Ter presente que o principal objetivo do Grupo Balint consiste no desenvolvimento das competências de relação dos profissionais de saúde com os pacientes. No caso dos médicos, dando particular ênfase à compreensão da patologia psicossomática e respetiva abordagem terapêutica. Que os grupos têm fronteiras definidas e seguras, permitindo a expressão verbal e emocional de cada um dos seus elementos.
2. Estabelecer um ambiente de confiança e segurança no seio do Grupo, através de uma estrutura e processo de trabalho consistentes e fomentadores da livre expressão de todos os participantes, com garantia de confidencialidade.
3. Saber estimular a participação dos membros do Grupo na análise dos casos, focalizando os aspetos emocionais inerentes ao processo relacional, expresso através das narrativas oferecidas pelos participantes.
4. Saber intervir na análise coletiva, visando a livre expressão e associação de ideias entre as múltiplas vertentes e perceções relativas à narrativa apresentada.
5. Saber evitar juízos de valor ou processos de intenção.
6. Saber lidar com expressões de caráter emocional inerentes ao processo grupal. Perantecasos problemáticos, ser capaz de evitar constrangimentos entre os participantes,nomeadamente impedindo a contaminação com problemáticas pessoais.
7. Saber reformular intervenções menos claras dos participantes, com recurso à citação dos termos utilizados e, quando necessário, recorrer a sínteses que de algum modotornem mais claro o paralelismo entre o processo do Grupo e o contexto da consulta.

O formando terá consciência de que o processo de formação enquanto facilitador/líder de GB, é apenas uma etapa do desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal e profissional contínuos e não um fim em si.

Curriculum obrigatório para a formação inicial

1. Período mínimo de 3 anos e 30 sessões como co-facilitador/co-lider de um grupo Balint (orientado por um facilitador/líder acreditado). Neste percurso formativo, o facilitador/líder de grupo avaliará os seguintes aspetos do desenvolvimento pessoal do formando:
1.1. Capacidade para se focalizar no trabalho do grupo
1.1.1. O formando cultiva no grupo um clima de segurança, aceitação mútua e honestidade garantindo a confidencialidade.
1.1.2. O formando protege de agressões o narrador e os restantes membros do grupo.
1.1.3. O formando respeita todos os pontos de vista e lida bem com o inesperado.
1.1.4. O formando é capaz de se adaptar ás necessidades do grupo.
1.1.5. O formando é claro nas suas intervenções.
1.1.6. O formando usa o conhecimento do processo paralelo para ajudar o grupo na sua descoberta e evolução
1.2. Capacidade de fortalecer a estrutura do grupo
1.2.1. O formando é capaz de estabelecer claramente os limites do grupo.
1.2.2. O formando respeita o potencial ilimitado de todos os elementos do grupo e respeita o ritmo e o modo de desenvolvimento de cada elemento no grupo.
1.2.3. O formando reformula e tenta que o grupo clarifique pensamentos e sentimentos, evitando que a sua visão do problema possa interferir no processo e análises grupais.
1.2.4. O formando estabelece relações empáticas no grupo.
1.3. Capacidade de promover o processo do grupo.
1.3.1. O formando identifica reações emocionais nos diferentes elementos do grupo.
1.3.2. O formando explora diferentes cenários da relação médico-doente.
1.3.3. O formando facilita a compreensão das dificuldades relacionais com os pacientes.
2. Durante o período formativo, será necessário elaborar relatórios de grupo em 70% das sessões, para supervisão não presencial. Nesses relatórios:
2.1. O formando fará a descrição do “clima” do grupo.
2.2. O formando deverá fazer o relato geral da situação clínica apresentada, citando o narrador.
2.3. O formando fará a identificação das emoções expressas e avaliará os mecanismos defensivos do narrador, assim como o eco nos participantes do grupo.
2.4. O formando fará a análise do processo do grupo e a avaliação do modo como facilitador/líder e co-facilitador/co-líder desempenharam o seu papel, no decurso da sessão, enfatizando as conclusões do narrador, quando tenham existido e a sua própria atuação no encerramento da sessão do Grupo.

O formando dispõe de documento elaborado e aprovado pela Comissão Científica da APGB para este objetivo

3. No último ano e últimas 10 sessões, o formando terá supervisão presencial em 1/3 das sessões em que participa (isto é, em 4 sessões).
4. Estar presente em pelo menos 70% das ações de formação para líderes, promovidas pela APGB (sob orientação pedagógica da CC). Elaborar relatório simplificado de pelo menos três destas formações (uma em cada ano de formação).
5. Participar em Dois Encontros Nacionais,
5.1. Na Comissão Organizadora pelo menos uma vez.
5.2. Assistir à Comissão Científica pelo menos uma vez.
5.3. Apresentar pelo menos um trabalho científico em cada Encontro (tema livre na área Balint, protocolo de investigação, trabalho de investigação).
6. Adquirir conhecimentos em áreas relacionadas com: Conceitos teóricos e práticos e evolução do movimento Balint ao longo do tempo; Dinâmicas de grupos; Psicoterapia e sua aplicação em cuidados de saúde primários; Psicanálise básica; Gestão de situações de crise; outros). Frequentar dois cursos, de pelo menos 30 horas, em algumas destas áreas.

Opcionalmente

A valorizar o percurso formativo.
1. Participação em conferência de líderes da IBF (International Balint Federation).
2. Participação em Congresso Internacional da IBF.
3. Apresentar em congresso internacional um trabalho de investigação e a sua publicação.

Bibliografia

Obrigatória
a. Doctor, His Patient and The Illness, by Michael Balint
b. The Use of Small Groups in Training, by R. Gosling, D. H. Miller, D. Woodhouse
c. Six minutes for the patient: interactions in general practice consultation, by Enid Balint, Jacob Solomon Norell
d. What are you feeling doctor: identifying and avoiding defensive patterns in the consultation, by Salinsky, John, Sackin
e. The doctor, the patient and the group: Balint revisited, by E Balint, M Courtenay, A Elder, S Hull and J Paul
f. Experiences in Groups: and Other Papers, by W.R. Bion
g. Frontiers in Group Dynamics: Concept, Method and Reality in Social Science; Social Equilibria and Social Change, by Kurt Lewin
h. Carl Rogers on Encounter Groups, by Carl R. Rogers
i. A study of doctors, by Michael Balint, Enid Balint, Robert Gosling and Peter Hilderbrand
j. Psychotherapeutic techniques in Medicine, by Michael Balint and Enid Balint